Gleice Jane, primeira mulher de esquerda a ocupar cadeira na Assembleia Legislativa de MS, disputa reeleição

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Texto e foto (assessoria) -- ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO Deputada Estadual Professora Gleice Jane (PT/MS)

Em 47 anos de história, apenas 11 mulheres chegaram ao Parlamento estadual; hoje, elas ocupam apenas três das 24 cadeiras da Casa

A história da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul também pode ser contada por quem esteve ausente dela. Desde a instalação do Parlamento estadual, em 1979, centenas de mandatos passaram pelas 24 cadeiras da Casa. Em 47 anos, porém, apenas 11 mulheres chegaram a ocupar uma delas.

Foi nesse cenário de baixa representação feminina que a professora Gleice Jane (PT) chegou à Assembleia Legislativa, em 2023. Professora da rede pública há mais de duas décadas, sindicalista e ligada historicamente aos movimentos de mulheres e às lutas sociais, ela se tornou a primeira mulher do Partido dos Trabalhadores a ocupar uma cadeira no Parlamento estadual. 

Feminista e de esquerda, Gleice passou a integrar uma lista ainda curta de mulheres que, ao longo de quase meio século, conseguiram chegar ao principal espaço legislativo de Mato Grosso do Sul. Agora, em 2026, disputa a reeleição.

A lista cabe em poucas linhas: Marilene Coimbra, Marilu Guimarães, Celina Jallad, Simone Tebet, Bela Barros, Dione Hashioka, Mara Caseiro, Antonieta Amorim, Grazielle Machado, Lia Nogueira e Gleice Jane.

Para Gleice Jane, a participação feminina também precisa significar poder de decisão. “Não podemos naturalizar episódios que reforçam a exclusão das mulheres dos espaços de poder. A presença feminina na política ainda enfrenta obstáculos que vão muito além da disputa de ideias”, afirmou a parlamentar neste ano, ao comentar as dificuldades enfrentadas por mulheres no exercício de mandatos políticos.

Nas duas primeiras legislaturas de Mato Grosso do Sul, iniciadas em 1979 e 1983, não havia uma única mulher entre os deputados estaduais. A barreira só começou a ser rompida na eleição de 1986, quando Marilene Coimbra e Marilu Guimarães foram eleitas e passaram a integrar a terceira legislatura, iniciada em 1987.

Mais de três décadas depois, o Estado chegou a retroceder ao ponto de novamente iniciar uma legislatura com um plenário inteiramente masculino. Em 2019, as 24 cadeiras da Assembleia começaram ocupadas por homens. Naquele momento, Mato Grosso do Sul tinha a única Assembleia Legislativa do país sem uma deputada.

Em 2026, as mulheres representam 52,84% do eleitorado brasileiro. São quase 84 milhões de eleitoras. A maioria numérica nas urnas, entretanto, ainda não se converteu em presença equivalente nos espaços onde leis, orçamentos e políticas públicas são decididos.

Em Mato Grosso do Sul, a diferença fica ainda mais evidente. Hoje, das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa, apenas três são ocupadas por mulheres: Mara Caseiro, Lia Nogueira e Gleice Jane. Elas representam 12,5% do plenário.

A discussão sobre representação feminina, no entanto, não se resume à quantidade de mulheres sentadas no plenário. “ É dentro do espaço político que se discute orçamento, saúde, educação, trabalho, segurança pública, maternidade, proteção à infância, enfrentamento à violência doméstica, feminicídio, autonomia econômica e uma série de questões que atravessam diretamente a vida das mulheres”, pontua Gleice Jane. 

Gleice Jane rompeu uma barreira dentro da própria Assembleia

A trajetória de Gleice até o Parlamento começou muito antes de 2023. Professora da rede pública, formada em Letras-Inglês pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), ela construiu parte de sua atuação política no movimento estudantil, no sindicalismo e nos movimentos sociais.

Foi a primeira mulher a presidir o Diretório Central dos Estudantes da UEMS, presidiu o Simted de Dourados e integrou a direção da CUT em Mato Grosso do Sul. Em 2020, foi eleita vereadora em Dourados. Dois anos depois, disputou uma vaga de deputada estadual e assumiu uma cadeira na Assembleia em 2023.

Sua chegada representou um marco na história partidária do Estado. Gleice Jane tornou-se a primeira mulher do Partido dos Trabalhadores a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

Em 2025, rompeu outra barreira ao se tornar também a primeira mulher a assumir a liderança da bancada do PT na Casa.

Na ocasião, destacou o significado simbólico da posição.“Sou a primeira mulher a liderar a bancada do PT na Assembleia Legislativa, e isso me enche de orgulho”, afirmou.

Gleice também relaciona sua presença no Legislativo à tentativa de levar par ALEMS vozes que, segundo ela, historicamente tiveram pouca representação.

“Levar as vozes invisibilizadas para esse processo na Assembleia não é uma tarefa fácil”, afirmou em 2025, ao citar mulheres indígenas, ribeirinhas, quilombolas e das periferias entre os grupos que busca representar.

Durante o mandato, Gleice colocou questões relacionadas às mulheres entre as pautas de sua atuação. Entre elas está a lei que instituiu o Dia Estadual de Enfrentamento à Violência Política de Gênero, com ações voltadas à conscientização e ao incentivo à participação das mulheres na política.

Em 2026, também apresentou o Protocolo Ampara, proposta destinada a estabelecer diretrizes para evitar a revitimização de mulheres sob medida protetiva.

Ao defender a proposta na Assembleia, Gleice resumiu a distância que, em sua avaliação, ainda existe entre aquilo que está previsto na legislação e a realidade enfrentada pelas mulheres.“Na vida real das mulheres ele é necessário”, afirmou.

Em outro momento do debate, acrescentou,“não vamos aceitar que as mulheres continuem morrendo sem responsabilidade do Estado.”

São exemplos de como a composição de um Parlamento pode interferir também na agenda que chega ao plenário.

Quase um século depois da conquista do voto feminino no Brasil, a discussão sobre participação política das mulheres já não está restrita ao direito de votar ou de concorrer.

Os números da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul colocam outra questão no centro do debate: quem estará sentado à mesa quando as decisões que afetam a vida das mulheres forem tomadas?

Texto e foto (assessoria)–

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO
Deputada Estadual Professora Gleice Jane (PT/MS)
(67) 9 9988-7913 – Fernanda Sabô, Coordenadora de Comunicação

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